quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Jornal Beirão «1ª Página» - 27ª Edição


quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

«Notícias» - Resumo - Região

Fernando Ruas, Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses
“É uma altura excelente para divulgarmos a cidade”

Compras de Natal? Sim... mas poucas e baratas
Os saldos só começam oficialmente a 28 de Dezembro, no entanto, os lojistas do centro histórico planeiam fazer promoções mais cedo para cativar os clientes e escoar os produtos. Todos são unânimes em afirmar que a crise de que tanto se fala, e continuará a falar, influenciou as vendas de uma forma negativa e que, embora ainda haja quem compre, a tendência é procurar o mais barato.

III EDIÇÃO DA FEIRA DO MÍSCARO EM SÁTÃO ATRAIU MILHARES DE PESSOAS
A Câmara Municipal de Sátão apresentou a III edição da Feira do Míscaro, no dia 22 de Novembro, no Largo de S. Bernardo.
Apesar do frio que se fez sentir, mais de duas mil pessoas marcaram presença(...)

Arte na Família Vouga – Portal que se abre ao progresso da cultura
Pintura, escultura, desenho, pirogravura, talha, marcenaria, web-design e fotografia integram a exposição Arte na Família Vouga que o Museu de Lamego acolhe a partir do dia 5 de Dezembro

S.Pedro do Sul: Placas informativas de risco de incêndio florestal
O concelho de S. Pedro do Sul é pioneiro no distrito de Viseu na colocação de placas informativas do risco de incêndio florestal.

Boicote colectivo deixa parque da PSP sem carros
A atribuição de lugares de estacionamento privado na PSP de Viseu, em função da hierarquia, está a indignar os polícias, que deixaram de usar o parque colectivo e acusam o comandante de dividir o pessoal por "castas".

Sócrates foi a Viseu mas deixou municípios sem respostas
O primeiro-ministro foi ontem a Viseu fazer um discurso completamente ao lado das expectativas dos participantes no XVIII Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) que durante dois dias escalpelizaram os problemas que prevêem enfrentar nos próximos quatro anos.

«Nacional» - O que é isto?



Apesar de já ter sido postado o "vídeo do mês", esta notícia não podia ficar esquecida.
Sem comentários...

«Rápidas» Outro momento alto de Via Nocturna

A conceituadíssima revista de música BLITZ recorreu ao blogue do programa da rádio Riba Távora - VIA NOCTURNA - para fazer a review ao disco "Renaissance", dos Neonírico. Mais um momento alto do programa, de Pedro Carvalho, que começa a ser um sucesso a nível nacional.

Ler mais em http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/47669

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

«Mini-Fórum» - 2009 chega ao fim...

Este post tem como objectivo permitir a livre discussão sobre o ano de 2009 em Moimenta da Beira e, consequentemente, dar lugar a um balanço geral do estado da vila. Assim, para fomentar a discussão, "deixam-se no ar" alguns temas e actividades que marcaram o ano.
  • Eleições autárquicas - mudança no executivo camarário;
  • Eventos desportivos de cariz nacional -Selecção Nacional de Andebol;
  • Parque eólico Douro Sul;
  • Universidade Sénior;
  • Viva + O Centro Histórico;
  • Futebol: CDR faz uma boa época 2008/2009;
  • Andebol: Juvenis da EA Moimenta da Beira campeões nacionais da 2ª divisão 2008/2009;
  • Mega concentração de telescópios;
  • SUB em Moimenta da Beira;
  • Etc...
Qual a sua opinião em relação ao estado da nossa vila e ao que por cá se passou durante o ano?
O que há a melhorar em 2010 e quais as prioridades?
Comente!

Classificados "MoimentaNaNet" - Dezembro 09

Registe-se e anuncie aqui, aquilo que quiser:

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segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

CDR- Apostas de Resultados

Na tabela ao lado surge a classificação geral.

O resultado desta jornada foi:
Tarouquense 2-2 CDR

Próxima ronda de apostas:
13 de Dezembro 15:00
CDR Vs Molelos


Convém lembrar que a ronda de apostas fecha às 13 horas de Domingo.

Aceitam-se novos "apostadores" em qualquer jornada.

Boas Apostas

domingo, 6 de Dezembro de 2009

«Notícia» - Bombeirinho

A secção desportiva dos Bombeiros Voluntários do Satão lançou mais uma campanha em parceria com a Artenave, Atelier – Associação de Solidariedade sediada em Moimenta da Beira. Desta união surgiu a mascote "Bombeirinho". Os fundos que se venham a obter serão divididos pelos Bombeiros de Sátão e pela Artenave. (Fonte:SDBVSatao.blogspot)

sábado, 5 de Dezembro de 2009

"Notícias" - Crianças atropeladas

Duas crianças foram ontem atropeladas em Alcobaça e Moimenta da Beira. No primeiro caso, a vítima, de 10 anos, encontra-se em estado grave. O atropelamento registou-se em Casal da Estrada, Alcobaça. Em Baldos, Moimenta da Beira, um menino de 11 anos sofreu ferimentos ligeiros.

Fonte: Correio da Manhã

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

«Notícia» - Nova variante à EN229 deverá ficar concluída em 2012

O estudo prévio da variante à Estrada Nacional (EN) 229 entre Viseu e Sátão vai ficar concluído no primeiro trimestre de 2010. A informação foi dada a conhecer já esta semana pela Estradas de Portugal (EP).
Segundo a EP, a nova estrada deverá dar "entrada em serviço" em 2012. De acordo com as previsões do Estudo de Tráfego da Variante, esta via terá um tráfego médio diário de cerca de 4.100 veículos.
A EN229 é uma das mais sinistras da região, razão que tem levado os autarcas de Viseu e de Sátão a pedir uma solução urgente. Já em 2007 tinha sido anunciada que a via iria ser duplicada, decisão que entretanto foi anulada, com o Governo a anunciar que em vez da sua duplicação iria ser feita uma requalificação. "Em troca", o Governo comprometia-se a avançar com um estudo prévio para a construção de uma variante que, segundo o presidente da Câmara de Sátão, "seria a solução ideal".
Os trabalhos de requalificação da EN229 iniciaram-se este ano, um investimento orçado em 4,7 milhões de euros e que estão actualmente a decorrer.
A intervenção, ao longo de 15 quilómetros, inclui a rectificação do traçado do Fojo, a construção de cinco rotundas e o reforço do pavimento.
Já a nova variante (com ligação à A25), e conforme anunciado há oito meses em Sátão pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, terá um investimento estimado de 15 milhões de euros, com quatro faixas de rodagem. Depois do Estudo Prévio, o projecto terá ainda que ser sujeito a Estudo de Impacto Ambiental.
Manuel Trindade, da Estradas de Portugal, lembrou que a intervenção na EN 229 vai ainda beneficiar o acesso à capital de distrito de concelhos vizinhos como Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Penedono.
A EN 229 é percorrida diariamente, em média, por 10 mil viaturas. Trata-se de uma das vias com mais sinistros graves no último ano. (Fonte:DiáriodeViseu)

«Destaque» - Dia a Dia (Kit Cat)

Dia a Dia (Kit Cat) -(2009, Edição de Autor)

Este é um momento histórico neste espaço: pela primeira vez comentamos o trabalho de um colectivo oriundo da nossa terra. Sim, já abordamos os Bulldozer que, não sendo de Moimenta da Beira, têm alguns elementos de cá, mas estes Kit Cat são nados e crescidos na nossa vila. E o que dizer deste Dia a Dia e dos Kit Cat? Em primeiro lugar referir que não é todos os dias que uma banda com pouco mais de três anos de existência grava uma demo com doze temas e quase… oitenta minutos de música! Só este facto já era suficiente para nos admirarmos com a capacidade criativa da banda. Mas ainda se torna mais relevante se atendermos que os quatro Kit Cat têm entre… 13 e 15 anos! Quanto a este álbum, puramente demonstrativo do trabalho da banda, inicia-se de forma excelente com o tema Sofrimento Perpétuo I, onde os coros épicos iniciais se transformam num portento do rock/metal progressivo que coloca, desde logo a bitola bem alta. Infelizmente para o jovem colectivo moimentense, esses níveis tão elevados só por mais três vezes são alcançados: em Hora II, Lágrimas e Dia a Dia. A primeira pelo sentimento carregado de negro desde as iniciais badaladas da torre da Igreja (e aqueles la-la-la são soberbos!); o segundo com um fantástico solo final de guitarra muito na linha do que Lanvall faz nos seus Edenbridge; e o tema-título pela fusão que consegue criar entre ambiências bluesy/fado/orientais. Pelo meio os Kit Cat vão desfilando um conjunto de temas bem arranjadinhos, cheios de interessantes melodias com uma assinalável influência pop, com solos bem estruturados e excelentemente executados, mas que pecam pela repetição da mesma fórmula: a alternância entre momentos lentos com a predominância da guitarra limpa com outros mais furiosos, plenos de energia e com a distorção a fazer a sua aparição. Quem também não ajuda muito é a componente lírica onde o uso e abuso de temas como os amores e desamores fica mais próximos de um Tony Carreira que propriamente de uma banda de rock. Por outro lado e não querendo ser cruel, importa referir que a componente vocal é a menos bem conseguida do colectivo. Aconselha-se muito trabalho neste sector, porque com a capacidade criativa, com o talento que já demonstram e com a margem de progressão que ainda têm, os Kit Cat são um nome a ter em conta no futuro do rock feito em português. Mas há aspectos que precisam ser revistos: a voz é, claramente, um deles. Assim como é a gramática (não podem surgir erros de português no folheto do CD, pois não?) e, eventualmente, um nome mais apelativo. Força, rapazes.

Tracklist:
1. Sofrimento Perpétuo I
2. Manhã
3. Amor Sem Sentido
4. Hora II
5. Uma História Escondida
6. Lágrimas
7. Nada a Perder
8. Dia a Dia
9. Rosas de Amor
10. Entre Dois Lados
11. Entre a Espada e a Parede
12. Sofrimento Perpétuo II

Line up: José Diogo Dias (guitarra e voz), Rafael Mendes (guitarra), Filipe Ferreira (baixo), João Pedro Santos (bateria)

Myspace: www.myspace.com/bigkitcat
Edição: Edição de autor (Fonte:http://vianocturna2000.blogspot.com)

«Desporto» - Vítor Rebelo novo treinador do M. Beira

O CDR Moimenta da Beira já encontrou sucessor para José Carlos Coelho. O escolhido da direcção é Vítor rebelo que estava a treinar o Arguedeira. O novo treinador já orientou ontem o treino. Vítor Rebelo regressa ao clube, uma vez que já passou por Moimenta na época 2007/08. Com o treinador podem também chegar os jogadores do Arguedeira, Careca e Tiago. Fonte:FutebolDistritoViseu

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

"Desporto" - Treinador do CDR despedido

Apenas 2 vitórias em 9 jogos, assim se resume a curta passagem de José Carlos Coelho pelo Moimenta da Beira, o que levou o clube da região do Demo a despedir o treinador, que não resistiu aos maus resultados.
Sensivelmente 2 meses, foi o tempo que durou a "relação" do técnico, que nunca fez esquecer Jorge Paiva; recorde-se que na época transacta, o Moimenta da Beira lutou praticamente até final da época pela subida aos nacionais, tendo disputado igualmente a Final da Taça de Sócios de Mérito da AF Viseu, sucessos que não tiveram continuidade na presente temporada, onde o clube se encontra na zona de despromoção na tabela classificativa, apesar do clube possuir valiosos atletas no seu plantel, casos de Oceano e Manú.

Rui Alves, foi o treinador que orientou a equipa na última partida, e estreou-se com uma vitória por 7-0, assegurando a continuidade dos "moimetenses" na Taça.

Fonte: http://jocalamasfausto.blogspot.com/

«BMAR» - Newsletter Dezembro 09 + Info


Col: AM

«Arqueologia» - Os 134 marcos da Universidade de Coimbra

No que respeita ao património da Época Moderna no concelho moimentense, é importante mencionar os 134 marcos da Universidade de Coimbra (testemunhos da extensão dos territórios e da influência desta instituição na região) recentemente identificados. Eis a sua localização por freguesia:
Aldeia de Nacomba (9): Cadavais, Curaceiro, Igreja Matriz, Marco Cimeiro, Sarzeda, Lameira, Moinhos, Verdeal, Toitaínho. Arcozelos (3): Costeira, Ribeira do Tedo, Leiras. Baldos (2): Igreja Matriz, Rua D. Manuel Pereira. Cabaços (4): Igreja Matriz, Serra, Limo Verde I/II. Caria (29): Residência Paroquial I/II, Patalugar, Monte do Coutado, São Paio, Cotovias, Souto das Vinhas I/II/III/IV, Santo André, Aderribela I/II, Dajoana I/II/III/IV/V, Rua das Lajes, Lameiro Longo, Rua da Rita, Vale de Paiva, Barreiros, De Conde de Cima I/II, Barreiro, Laijinhas, Corga Longa I/II. Castelo (1): Laje dos Dois Irmãos. Leomil (1): Moreiró de Cima. Moimenta da Beira (32): Bairro da Corujeira, Senhor dos Aflitos, Bairro do Aguiar I/II/III, Igreja Matriz, Avenida 25 de Abril I/II, Estrada Larga, Penedo Gordo, Quinta do Salvador, Arrabalde, Alto do Facho, Alto de Fornos, Quinta do Carregancho I/II, Alagoa I/II/III/IV/V/VI, São Mamede, Quingela I/II/III, Bairro de Nossa Senhora da Fátima, Covas do Barro, Bairro dos Sinos I/II, Abrunhais, Rua dos Correios. Paradinha (24): Rua da Bugalbeira I/II/III, Rua do Val I/II/III, Pereiras, Leira dos Codeçais, Rua 25 de Abril, Bacelo, Capela de Santa Bárbara, Soito do Gato, São Miguel, Quinta da Faustina I/II/III/IV/V/VI/VII/VIII, Salgueiro I/II, Quinta do Prazo. Peravelha (1): Café Mini-Mercado O Europeu. Peva (3): Aduvinha, Azenha, Póvoa. Rua (15): Rua Principal, Fato, Rapado I/II, Ribeira do Mileu I/II, Rigueira, Rua do Outeiro, Lameiras, Covelo, Calvário I/II, EN 226 I/II, Bugio. Segões (2): Penedo das Mulheres I/II. Vilar (8): Rua de São Bartolomeu, Seixo Segundo, Curaceiro I/II, Corgo da Lapa I/II/III, Rua do Porto.

Como podemos observar nas duas imagens, estes marcos podem assumir a forma de blocos de pedra ou estar gravados em afloramentos rochosos com a inscrição da Universidade: DE V. (nalguns casos, acompanhada de cruzes), encontrando-se muitos deles ainda nos locais de origem (especialmente os afloramentos rochosos), outros reaproveitados e alguns inexplicavelmente danificados.

Para terminar, cabe-me aqui deixar uma palavra de agradecimento a amigos e colaboradores ocasionais, cujo apoio tem sido valioso para a identificação destes elementos.

Autor: José Carlos Santos

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

«Notícias» - Resumo - Região

Natal do Livro no Museu de Lamego
À semelhança do que vem acontecendo há já alguns anos, o Museu de Lamego volta a colocar ao dispor de todos os seus visitantes um conjunto de publicações de referência com descontos que podem chegar aos 90%.

São Teotónio entre os melhores hospitais públicos de Portugal
O Hospital de São Teotónio de Viseu ficou classificado em quarto lugar no ranking dos melhores hospitais públicos de Portugal Continental. No ranking, elaborado pela Escola Nacional de Saúde Pública para a revista Sábado, o hospital subiu dois lugares em relação ao ano passado e obteve, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar no tratamento de traumatismos e lesões acidentais.

APAV quer abrir gabinete de apoio à violência doméstica em Viseu
Está ainda fresco na memória de todos, o homicídio ocorrido em Mangualde na semana passada. O namorado de uma rapariga de 20 anos, confessou ter matado a namorada, encontrada no interior de um carro junto à Barragem de Fagilde.

Traçado alternativo à EN229 sem previsões
O deputado do CDS-PP, Hélder Amaral confirmou que não está em cima da mesa o projecto para um traçado alternativo à Estrada Nacional (EN) 229, que liga Viseu a Sátão. A via está a ser alvo de obras de requalificação, mas os autarcas dos dois concelhos reivindicam um traçado alternativo a uma das estradas mais preocupantes da região. Hélder Amaral, reuniu recentemente com delegação regional da Estradas de Portugal (EP), com vista a uma avaliação dos novos projectos para o distrito e confirmou "que não está nada previsto para uma outra obra que não seja a requalificação da actual ligação Viseu/Sátão".

11º aniversário da classificação da Arte do Côa como Património Mundial

Em cartaz no Distrito

Autocarro ficou suspenso em ravina com 40 estudantes da Escola Profissional de Vouzela
Um autocarro que transportava 40 alunos da Escola Profissional de Vouzela embateu esta manhã contra um veículo ligeiro e ficou suspenso numa ravina no lugar de Volta Escura, à entrada da vila de Vouzela, Viseu. Apesar do susto, não houve feridos e o autocarro foi retirado mais tarde com uma grua pela empresa de transportes responsável.

Gelo e neve obrigaram ao corte de estradas na Guarda e em Viseu
Ontem
A neve e o gelo obrigaram ontem ao corte de várias estradas dos distritos de Viseu e Guarda. As estradas do maciço central da serra da Estrela só ficaram "todas transitáveis" ao início da tarde.

Compressa fica 11 dias no útero
Uma mulher de 39 anos andou onze dias com uma compressa de gaze no útero que os médicos "se esqueceram de retirar" durante uma operação realizada no Hospital S. Teotónio (HST), em Viseu.

«Previsão Meteorológica» - Moimenta da Beira

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Na tabela ao lado surge a classificação geral.

O resultado desta jornada foi:
CDR 0-1 Canas de Senhorim


Próxima ronda de apostas:
6 de Dezembro 15:00
Tarouquense Vs CDR


Convém lembrar que a ronda de apostas fecha às 13 horas de Domingo.

Aceitam-se novos "apostadores" em qualquer jornada.

Boas Apostas

Os seis lobos de Leomil e as 103 ventoinhas na serra

As histórias de lobos maus continuam a ouvir-se pela serra da Nave. Para a maioria da população é incompreensível que o parque eólico possa estar em causa por causa do impacto na preservação. "O mais importante são as ventoinhas." Quem conhece o terreno pede que se ponham no lugar dos animais: imaginem que vos metem um aerogerador no quarto. Em causa estão os seis lobos sobreviventes da alcateia de Leomil. Por Catarina Gomes (texto)

Um dia apareceu um lobito na Rochambana, o terreno da serra da Nave onde Teotónio Louvadeus passava os dias. Foi-lhe dando de comer e afeiçoaram-se um ao outro. E a convivência obrigou a que lhe desse um nome: ficou o Estudante, porque estava a aprender as lides "do bicho-homem". De tão habituado à proximidade humana, o Estudante abeirou-se um dia com menos cuidados da aldeia mais próxima e mataram-no à pedrada. Louvadeus ainda foi a tempo de lhe incendiar o cadáver, antes que os matadores fossem exibir pela aldeia o lobo-troféu pedindo esmola pela façanha e o serviço à comunidade, como era hábito.

Esta é apenas uma das muitas histórias de lobos passada nas Terras do Demo, assim baptizadas pelo escritor Aquilino Ribeiro, numa referência geográfica mais sentimental do que administrativa, porque tanto inclui aldeias localizadas no concelho de Vila Nova de Paiva como no de Moimenta da Beira, ambos no distrito de Viseu. Difere este enredo do lobito Estudante dos demais por ser ficção e estar nas páginas do romance de Aquilino passado na região, Quando os Lobos Uivam, e por dar deste animal boa imagem. Mas entre os mais velhos da região não há quem não tenha para contar uma história verdadeira com lobos, mas dos maus.

Em comum as histórias têm quase os mesmos traços: quem as conta saiu ileso por um triz, foi corajoso mas teve medo da feroz criatura que, já se sabe, "só traz prejuízos ao homem". Fernando, de Pêra Velha, lembra-se de estar "agachado", e curva-se em demonstração, quando viu passar um lobo, "chop, chop", eram as patas do bicho. Transido de medo, "bateu-me no pensamento que tinha comigo uma sombrinha na mão", abriu-a e "ele deu um ronco e levantou o rabo para cima do lombo". Foi a sua sorte. E ainda há aquela vez que, "em garoto", viu "passar uma manada de uns seis ou oito", e havia um senhor dono de uma cabra, que ainda é vivo e pode atestar, "que lhes berrou "ó bandidos"" e eles fugiram. "Ainda faz uns romances à minha custa", brinca.

Mas isso são histórias do passado, "de lobos ferozes", porque circula o rumor de que os que hoje andam pela serra "não são dos verdadeiros", porque são mansos e já não fogem das pessoas. A convicção está generalizada e a explicação é quase sempre a mesma: não são como os de antigamente porque "são lobos botados pelos "do ambiente", que os criam em cativeiro, e depois os soltam nos montes e os alimentam. São arraçados de cão". Querem provas?

"A mim não me tapam os olhos, já lá vi um com uma coleira", diz António Santana Aguiar, guarda florestal de Leomil. "Da Guarda para cá já botaram dois mil, foi o que ouvi", diz Augusto Jesus Ferreira, moleiro da aldeia de Ariz. Pensam, portanto, saber exactamente ao que andam "as meninas biólogas que passam tantas vezes num jipe" em direcção à serra de Leomil, ou serra da Nave, como é mais conhecida na região, dizem com ar conspirativo. Vão-lhes dar de comer.

Sara Pinto, uma das biólogas do Grupo Lobo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sabe desse mito e ainda tenta explicar às pessoas que é falso, que aqueles lobos são descendentes dos da sua infância, dos que pululam pelos livros de Aquilino, mas a crença está arreigada. "Em Portugal o lobo nunca foi reintroduzido, nem em nenhum país da Europa", explica a técnica, que está no terreno para estudar a actividade destes animais no âmbito do Plano de Monitorização do Lobo na área dos projectos eólicos das serras de Montemuro, Arada, Freita e Leomil, que é obrigatório por lei e que os promotores dos parques têm que realizar no processo de avaliação de impacte ambiental.

Os biólogos uivam

Será que estes lobos são mais mansos do que os antigos, como dizem as gentes? O que se pode aventar são meras hipóteses. "Imagino-me a ser lobo agora e há 50 anos. Eles acabaram por se habituar a um novo meio onde há mais pessoas do que havia e há carros", diz Sara Roque, também bióloga do Grupo Lobo, responsável pelo trabalho de campo. Quanto às coleiras, têm um emissor para lhes poderem seguir as movimentações, mas a técnica da telemetria só tem vindo a ser usada nos últimos anos, explica.

Não se sabe quantos lobos haveria nesta região, tem-se uma ideia de quantos serão hoje. Não são mais de seis os da alcateia de Leomil, mas este ano reproduziram-se, sinal de vitalidade, assim o provaram os uivos das três crias que responderam aos uivos simulados da equipa de biólogos - um dos métodos usados para monitorizar a existência de reprodução. "Eles sabem que nós não somos lobos, mas há técnicas que se treinam", explica Sara Roque, sem querer desvendar os segredos de um uivo eficaz.

Augusto e Arminda Jesus Ferreira não precisam de uivar para os ouvir, talvez por serem os mais remotos habitantes da aldeia de Ariz. Vivem no meio da serra, numa casa de granito onde não chega nem luz nem água canalizada e onde governam um moinho de água que ainda tem clientes. "Quando as máquinas da pedreira se calam os lobos começam. Todas as noites e madrugadas os ouço cantar o fado", conta Augusto. "Dizem que é para se juntarem uns aos outros, é como as pessoas", junta a mulher.

Prova da diminuição do número de lobos é a menor quantidade de histórias sobre avistamentos. "As crianças de agora - criaturas também raras em aldeias onde vivem sobretudo idosos - já não viram lobos", comenta Sidónio Clemêncio, presidente da Junta de Freguesia de Alvite. E mesmo quando se pergunta aos adultos quando viram um pela última vez a maioria tem que regressar à sua infância, alguns a umas décadas atrás. Mas que eles lá andam, lá andam. Só que os episódios já não são contados por quem os viu mas por quem sente os seus efeitos.

A Faustino Almeida Sousa, dono de uma vacaria em Pêra Velha, devoraram-lhe há dois anos "uma vaca coberta que estava num pasto com arame alto e rede malha 10 por 10. Só restou a carcaça". Não foi a primeira vez que aconteceu, mas só lhe pagaram esta última, dantes não sabia que quando eram comidas por lobos o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade os indemnizava. "A vaca valia 1500 euros, deram-me 580 euros e o dinheiro só veio dois anos depois do ataque", protesta, sentado no telhado de casa que está a reparar.

Arlindo Teixeira, pastor de um rebanho de 108 ovelhas em Leomil, conta que há três anos lhe comeram dez e no mesmo ataque mataram mais seis. Mas a história dele não acabou como a de Faustino. Responderam-lhe que "tinha sido um ataque de cães selvagens". Bem contratou um advogado, que lhe disse que tinha que haver testemunhas. "Se o lobo atacar na serra como é que eu arranjo testemunhas?"

Numa ronda pelos trajectos habituais da alcateia de Leomil, nesta serra de vegetação rasteira de giestas e montes que não sobem acima dos 900 metros, vemos atravessar-se à frente do jipe, não lobos, mas uma matilha de cães abandonados de várias cores e tamanhos. "Quando ando aqui sozinha na serra não tenho medo de encontrar lobos, mas tenho medo destes cães assilvestrados. Têm comportamentos imprevisíveis e podem atacar", confessa Sara Pinto. São cães abandonados que vivem no monte sem contacto com humanos.

Ao pastor Arlindo Teixeira ninguém o convence de que foram cães e não lobos a dar-lhe tamanho prejuízo. "Como é que têm coragem de dizer aquilo. Então cães selvagens deixavam-me as ovelhas naquele estado, rasgadas e meias comidas?" Arlinda e Augusto também adivinham o mesmo destino aos dois cães que lhes desapareceram na serra. "À cadelinha, arisca e pequenina, chamaram-lhe um figo", quanto ao maior, "o Mondego. Tive uma pena. Só encontrámos o espinhaço. Se pudesse ainda lhes chegava a roupa ao pêlo", confessa Augusto.

Já dizia Aquilino em 1954, no livro O Homem da Nave, que "o lobo é sempre responsável pelo que faz e pelo que não faz", lembrando uma notícia que saiu "nos jornais de Lisboa" que rezava "que um lobo corpulento devorou uma pastorinha quando apascentava o rebanho nas corgas da Nave". No dia seguinte houve rectificação: "a menina, à vista do lobo corpulento, fugiu".

Em boa verdade se diga "nunca se ouviu um lobo que comesse uma pessoa". Ainda assim, não se tem dúvidas de que é animal feroz e que, se dependesse das gentes locais, "sumia" da face da serra. Maria Alice Lopes Luís, de 73 anos, de Pêra Velha, tinha solução alternativa: "São animais ferozes que só põem medo, são maus. Que os ponham no jardim zoológico e quem nunca os viu que vá lá ver."

Perigo de extinção

Pelos "prejuízos" que dizem que o lobo traz é incompreensível, "não tem lógica nenhuma", confessa Faustino Almeida Sousa, o que anda nas bocas do mundo - que o parque eólico de 103 aerogeradores que está projectado para a região e abrange pelo menos 11 freguesias (do concelho de Moimenta da Beira e Sernancelhe) pode estar em causa por causa dos lobos, pelo impacto que pode ter na sua preservação.

O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) deu parecer desfavorável à construção do parque eólico porque coincide com o território de três alcateias, a de Trancoso, Leomil e da Lapa - considerando-se que estas duas últimas têm "um papel determinante na sobrevivência da subpopulação do lobo a sul do Douro", podendo-se iniciar "de forma irreversível o desaparecimento do lobo desta região", lê-se.

Já a declaração de impacte ambiental, emitida em Outubro pelo gabinete do secretário de Estado do Ambiente, foi contra os pareceres desfavoráveis do ICNB e também da Autoridade Florestal Nacional e deu luz verde ao Parque Eólico do Douro Sul, com condicionantes. Da lista fazem parte "a eliminação e relocalização de aerogeradores", prevendo-se, por exemplo, distâncias mínimas de dois quilómetros dos "dois centros de actividade" da alcateia de Leomil, a reintrodução de presas silvestres na região, a dádiva de 0,5 por cento da receita anual para o Fundo do Lobo, obras interditas à noite e "período crepuscular" e na época de reprodução do lobo (de Maio a Outubro), entre outras. Está-se agora à espera que os operadores entreguem um relatório que incorpore no projecto as limitações.

Os condicionalismos impostos implicarão uma redução do projecto, mas as associações ambientalistas Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e o Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS) receiam que o impacto negativo sobre a alcateia ainda coloque em risco a sua sobrevivência e por isso admitiram, no mês passado, apresentar uma queixa à União Europeia. Consideram que "o Estado Português está a violar as directivas nacionais e europeias de protecção do lobo-ibérico", reportou a Lusa, uma espécie considerada em vias de extinção.

Se houvesse um referendo popular toda a gente votava pelo "sim às antenas", declara o presidente da Junta de Alvite. Veríssimo Aguiar, ex-presidente da Junta de Pêra Velha, até tem outra sondagem: "80 por cento da população diz que se lancem mas é os lobos à ribeira." Mais moderado, Faustino diz que há lugar para tudo. "A serra é grande e um lobo não precisa de muito espaço", e além do mais "eles habituam-se a tudo, como o homem".

"Nas ventoinhas que já funcionam há dois anos há lá lobos", comprova Arlindo Teixeira, sinal de que "eles andam na sua vida". E "o mais importante são as ventoinhas", diz o pastor.

A experiência acumulada de parques eólicos construídos no habitat do lobo permite já constatar que eles não desaparecem dos locais, "os lobos são muito fiéis ao seu território", mas a sua simples presença não significa que não haja impactes, sublinha Franscisco Álvares, coordenador científico do plano de monitorização que está a decorrer.

Outros estudos que avaliam os impactes dos parques eólicos permitem tirar já algumas conclusões. Francisco Álvares define assim a questão: o que aconteceria se lhe colocassem um aerogerador na sua sala de estar? E na sua cozinha? "Vai continuar a usar a sala e a cozinha, mas o seu uso vai alterar-se, até um limite." E se lhe pusessem um aerogerador antes no seu quarto? "Os lobos precisam de zonas com estabilidade e de zonas tranquilas para se refugiarem e se reproduzirem." Ou seja, com os parques eólicos há mais dificuldade na obtenção de alimentos, de caça, e na reprodução, o que pode levar à extinção de uma alcateia.

30 lobos a sul do Douro

No caso de Leomil é isso que pode estar em causa. Como estava inicialmente projectado, o parque abrangeria 60 por cento do território da alcateia, que anda pelos 150 a 200 quilómetros quadrados, e afectaria três dos quatro centros de actividade dos lobos, incluindo a zona onde se reproduzem, constata Francisco Álvares, que é biólogo do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

"Esta alcateia é muito especial", sublinha o biólogo. Mas quem são afinal os lobos de Leomil? Não serão mais de seis, três adultos, três crias. Das escassas dez alcateias que sobrevivem a sul do Douro, com um total de apenas 30 lobos, esta é uma das três que se reproduzem com maior regularidade. "São três fêmeas que estão a manter a população", que tem alta mortalidade. "São mais os que morrem do que os que nascem."

Não os viram a todos, não lhes deram nomes, nem os reconhecem se os vêem. "Eles aparecem tão pouco", diz. Os métodos científicos para estudar a presença do lobo prevêem sobretudo a prospecção de dejectos de lobos e depois a sua análise genética e foi também assim que chegaram àquele número: seis. "Esta é uma população isolada e frágil", porque não pode contar com animais vindos de Espanha, como acontece com os lobos a norte do Douro - onde vive a maioria, cerca de 50 alcateias que chegam a ter 12 lobos - e o Douro serve-lhes de barreira para o Norte de Portugal. "E mesmo as alcateias a sul do Douro ficaram fragmentadas a meio com a construção da A24."

O último Censo Nacional de Lobos de 2002-2003 aponta para cerca de 300 lobos em Portugal, de 63 alcateias; em Espanha serão cerca de dois mil. "Houve uma regressão brutal nos últimos 50 anos. Na década de 1930 ainda havia lobos às portas de Lisboa", recorda Francisco Álvares. Hoje estão limitados "às zonas mais montanhosas do Norte do país", mas a zona mais ameaçada e considerada prioritária para a conservação pela União Europeia é a sul do Douro, onde fica a alcateia de Leomil, nota.

Um lobo em cativeiro já chegou a viver 19 anos, mas qual é a esperança de vida de um lobo em liberdade em Portugal? Sara Roque responde que "não se conhece nenhum lobo selvagem que tenha mais de dez anos, mas estes já são grandes sobreviventes". Muitos lobos morrem atropelados e presos em laços que são colocados por caçadores furtivos como armadilhas para javalis. "Ficam presos e morrem com hemorragias internas. É uma morte horrível."

Depois há os tiros e os envenenamentos. Um idoso de uma aldeia local lembra o episódio de dois lobos que mataram uma cabra da aldeia mas não a comeram toda, puseram veneno na carne do animal e quando os lobos voltaram, para a acabar de devorar, morreram. "Foram vistos mais adiante."

Matar um lobo é proibido e dá pena de prisão desde 1990, mas nunca tal aconteceu, mesmo quando há provas, constata Francisco Álvares. O Estado não aplica a lei também do lado das compensações às populações: não devia ultrapassar os 60 dias até serem pagas, demoram às vezes anos. Há países que até cobrem os danos psicológicos dos donos pela perda de gado, como acontece na Suíça.

Uma das medidas que os promotores terão que tomar é a apresentação de "um plano de comunicação e sensibilização da população" para explicar às pessoas porque é que é preciso preservar o lobo e porque é que ele é importante "para o desenvolvimento da região". É preciso explicar que "não há lobos bons nem maus, são seres vivos que precisam de se alimentar", sublinha Franscisco Álvares. A avaliar pelas reacções, esta tarefa não parece fácil.

"Eu sou contra a bicharada", vocifera Maria Alice Lopes Luís, de 73 anos, e lembra o episódio da "desgraçada da égua" que há seis anos ficou "toda esmordicada e até teve que levar anestesia. Eu não quero os lobos, quero as antenas". Raul Gomes junta-se à conversa e pensa que "se haviam de matar a todos", e já agora juntavam-se-lhes também os javalis, "que lhe desfazem os lameiros. Não colhi nem um alqueire". E as raposas, que ainda anteontem "uma cortou a cabeça de uma galinha e veio enterrá-la à minha porta".

Em Pêra Velha, se levarem a sua avante e "as ventoinhas" forem colocadas lá na serra, vão conseguir construir um centro de dia para os velhos com o dinheiro do aluguer dos terrenos, prometeu o presidente da Junta de Freguesia de Pêra Velha, José Dias Lopes. Entretanto, ainda antes da luz verde do Governo ao parque eólico, já têm há dois anos um contrato assinado com os promotores e recebem por ano 12.500 euros, "até à construção". Com esse dinheiro e a promessa de muito mais - 10 mil euros por cada um dos 10 ou mais aerogeradores previstos - deu "para arranjar caminhos agrícolas e florestais, calcetar ruas, já fizeram duas pontes".

Na Aldeia de Nacomba, o dinheiro dado como certo já tem destino, "a igreja precisa de telhado novo", comenta Alfredo da Costa. "Aqui fazem-se todos os dias omoletes sem ovos. Tudo se faz no litoral, se até isto nos querem tirar, qualquer dia vamo-nos juntar aos milhares das cidades", reclama Ricardo Rocha, estudante de Direito de 23 anos, natural de Leomil.

Proprietário de um turismo rural no meio da serra de Leomil, os Moinhos da Tia Antoninha, Eduardo Rocha diz que perguntarem-lhe a ele se concorda com o novo parque eólico é como pedir "a opinião ao pai da criança". Quando era presidente da junta foi a ele que coube, há três anos, introduzir a energia eólica na região - uma das sete ventoinhas vê-se do vale onde ficam as casas de pedra para turistas.

A outra opção para obter rendimentos para a povoação era a instalação de mais pedreiras, lembra. "A serra está cheia de pedreiras que fazem buracos profundos e isso, sim, é definitivo", e ninguém as critica. "Eu optei por uma solução que não punha em risco as gerações futuras" e com o dinheiro "alargou os cemitérios, pavimentou ruas. Vocês, os da cidade, deviam inverter os papéis e ver o nosso lado".

O proprietário diz que é possível um equilíbrio e é pela preservação do lobo, tanto que começou este ano a organizar caminhadas temáticas sobre o lobo para os seus hóspedes, mas ainda "não despertou interesse por aí além", nota.

Mesmo a ideia de que os aerogeradores são poluição visual é polémica e lembra que há 12 anos, quando foi colocado o primeiro parque ali próximo, em Lamego, "toda a região fazia bicha para ir ver as torres". Maria Alice Lopes Luís, 73 anos, à espera de medir a tensão numa unidade móvel de saúde, diz que já foi ver as que já há em Leomil. "De noite vê-se luz e fica bonito, ao barulho a pessoa habitua-se."

Sentados ao sol em frente ao "vídeo bar Carvalho", em Alvite, estão dois homens num banco ao ar livre, com uma panorâmica dos sete distantes aerogeradores, os primeiros da região. Belarmino Trinta, boina na cabeça, boca com vestígios de dentes acastanhados, não tem dúvidas. Com ar contemplativo, olha em frente. "Acho-as bonitas. Umas ventoinhas estão paradas, outras giram, umas enrolam, outras param."
Fonte:Publico

«Vídeo do Mês» - Selecção MNN

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Crónica História da Nossa Terra

A Orca Grande e a riqueza pré-histórica da Serra

As provas mais evidentes da ocupação humana remota do território que na actualidade corresponde ao concelho de Moimenta da Beira são os vestígios pré-históricos. Isso denuncia também a importância deste espaço, o qual tinha vários factores de atractividade para o homem que viveu no período do Paleolítico (paleo-polida; lítico – pedra: período da pedra polida). Já evoluído de nómada para sedentário, o homem do Paleolítico encontrou na nossa serra um habitat favorável à sua fixação: terra fértil para a prática da agricultura; flora multivariegada; fauna abonada; cursos de água em suficiência e um alti-planalto que ultrapassando largamente a cota dos 800 metros permitia condições de visibilidade imprescindíveis para a defesa do território.
Não há, ainda, vestígios significativos dos períodos mais remotos da pré-história na nossa serra. Entre finais do V milénio a.C. e inícios do IV milénio a.C. os vestígios materiais da presença humana vão-se multiplicar de forma muito significativa. Foi um momento em que as populações neolíticas que habitavam a região começaram a construir estruturas de cariz funerário e religioso bem identificáveis na paisagem: os dólmenes, também denominados de antas ou orcas.
Estes monumentos megalíticos foram construídos e/ou reutilizados parcialmente até ao II milénio a.C. Foi um longo período em que a sua arquitectura, os rituais e a sociedade em geral, passaram por vários processos, mais ou menos complexos, de evolução e de reorganização. Pelas razões apontadas não podemos falar de uma cultura megalítica como fenómeno homogéneo, fechado, mas sim de um conjunto de práticas funerárias com aspectos e características que revelam uma grande heterogeneidade ao longo do tempo.
São mal conhecidos os primeiros túmulos megalíticos. Os dólmens mais complexos e de maiores dimensões foram construídos no Neolítico Final, entre finais do IV milénio a.C. e inícios do III milénio a.C. Todos eles apresentam uma câmara poligonal, com um corredor geralmente longo e encontravam-se cobertos com enormes mamoas que os faziam destacar muito bem na paisagem. Representam o culminar de uma evolução para a monumentalização do espaço onde se ergueram. São deste tipo, entre muitos outros, os dólmenes da Lapa da Meruge (Vouzela), Orca dos Fiais da Telha (Carregal do Sal), Arquinha da Moura (Tondela), Orca dos Juncais (Vila Nova de Paiva), Dólmen do Juncal (S. Pedro do Sul), Orca de Forles (Sátão), Orca das Seixas (Serra de Leomil), Orca Grande (Serra de Leomil), esta última visível na figura que aqui apresento. Era também exemplo deste tipo, segundo a tradição oral, a Orca que se localizava ao longo da antiga via romana, pelo vulgo denominada de “estrada larga”, que liga Moimenta da Beira a Beira Valente. Este monumento foi destruído.
A escolha preferencial destes monumentos em zonas planálticas ou em plataformas bem distintas na paisagem, como aconteceu com a Orca Grande, sem dúvida a mais célebre neste concelho pela sua robustez, realça o seu papel como marco territorial. O dólmen é um sistema que obedece a um plano previamente pensado. A câmara, o corredor, o corredor intra-tumular, o átrio, a estrutura de condenação ou encerramento do túmulo e a mamoa, são a estrutura arquitectónica. Dentro dela eram colocados objectos que acompanhavam os defuntos, ligados às actividades quotidianas (cerâmicas, pontas de seta, foices, punhais, etc.) e ao domínio do sagrado, pois aí se realizavam rituais. Este último elemento, ligado às pinturas e gravuras que muitos destes monumentos possuem nos esteios da câmara e/ou corredor denunciam o carácter eminentemente sagrado destes túmulos que eram também templos de comunhão entre os viventes, seus ancestrais e o território.
A Orca Grande faz parte de um conjunto de monumentos megalíticos pré-históricos que poderão ser visitados na nossa serra. Especialistas que aqui realizaram estudos há uns anos atrás denominaram este conjunto de Necrópole Megalítica da Nave e dotaram-no de um circuito com placas identificadoras. Duas críticas – para ser comedido - tenho a fazer neste âmbito. É vergonhoso visitar este circuito e ver os monumentos tapados de giestas porque a limpeza dos locais não é regularmente feita. É ainda mais triste saber que vários artefactos foram encontrados nestes locais… e nenhum deles ficou em Moimenta da Beira. Muito menos os resultados das investigações foram projectados neste município para que todos os moimentenses tomassem conhecimento da sua riqueza pré-histórica. Afinal este património é ou não é nosso???
Publicado no Jornal Terras do Demo
edição de 19/11/2009

Paisagens Aquilinianas - Ricardo Bondoso